Auditando Tudo: desde quando?
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A prerrogativa dada aos auditores internos para que tenham o poder de auditar todas as áreas da empresa advém dos primórdios da atividade, que alguns dizem ter início à Idade Média, com os "olhos e ouvidos do rei", fiscais que percorriam o reino para certificar que os tributos estavam sendo pagos, que os coletores de impostos estavam retornando aos cofres reais aquilo que efetivamente tomaram do povo e para colher opiniões da plebe sobre a atuação e postura do governante. Se os coletores de impostos eram temidos, os fiscais eram mais ainda. Se identificassem que houve burla no cálculo ou pagamentos dos impostos (esconder parte da produção, subornar o coletor de tributos etc.), o "contribuinte" e o coletor corrupto poderiam dar adeus à vida.
A atuação dos auditores modernos não tem esse viés tão, digamos, mortal para os auditados, mas tem impacto muito grande na manutenção da vida das empresas. Antes vista como órgão fiscalizador e policialesco, que só aparecia para apontar as falhas dos auditados, com a evolução da metodologia e das técnicas, a auditoria interna passou a ser considerada uma aliada na melhoria dos processos internos e na gestão dos riscos ali incidentes. Inicialmente focada na área contábil, a necessidade de informações e a existência de uma área especializada em coletar e analisar informações levou ao passo seguinte, que foi demandar a auditoria interna para análise do conjunto de procedimentos, dos controles internos e da gestão de riscos de todos os departamentos da empresa.
A auditoria interna é parte integrante da terceira linha de defesa da gestão de risco, a quem compete a avaliação de todo o sistema de controles internos (SCI) e da própria gestão de riscos. Segundo o IIA Brasil, o SCI compreende recursos, padrões de conduta, procedimentos e ações definidos e implementados por uma empresa e adaptados às suas características próprias, tendo como finalidade contribuir para o controle das atividades visando à eficiência das operações e da utilização dos recursos. Já o gerenciamento de riscos corporativos é um processo conduzido por todos na empresa, administradores e demais empregados, aplicado no estabelecimento de estratégias, formuladas para identificar potenciais eventos que possam afetá-las e administrar esses eventos de modo a mantê-los compatíveis com o apetite de risco da organização e possibilitar garantia razoável do cumprimento dos seus objetivos.
A auditoria interna tinha – e ainda tem, para alguns – sua imagem ligada às funções de fiscalização, inquisição, investigação, às vezes até com sentido policialesco e repressivo, por ter historicamente desenvolvido trabalhos de descobrir falhas e apurar irregularidades, que muitas vezes culminavam com a demissão do funcionário faltoso. Mas, hodiernamente, a auditoria interna busca a agregação de valor à organização na qual atua e à sociedade, examinando, de forma cuidadosa, sistemática, independente e objetiva, os processos empresariais de forma a identificar e avaliar os riscos que podem impactar os objetivos da empresa.

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